Formas parvas de usar óculos de sol - Mr. Sunglasses

Formas parvas de usar óculos de sol

Como é mais que sabido, a primeira lente escura data do século I e foi usada pelo imperador Nero, sendo que o primeiro e verdadeiro par de óculos de sol surgiu na Alemanha no século XIII. Tenho imensa cultura geral, não recorri à wikipedia nem nada… Fazia muito mais sentido ter sido um pais com sol a inventar óculos escuros, mas a humanidade nunca foi conhecida pela sua brilhante lógica. Apesar de interessantíssima, talvez seja melhor deixar a história das lentes escuras de parte e falar dos diferentes usos deste tipo de óculos que garantidamente quem os inventou, nunca pensou que fossem feitos. Alguns deles deveriam ser banidos.

Óculos escuros à noite

Este é sem dúvida o maior flagelo ao qual os óculos escuros deram origem. Felizmente parece-me uma moda pouco disseminada mas sempre que vejo um gajo de óculos escuros na discoteca assumo automaticamente que é um palerma. Mesmo que seja num bar ou apenas no meio do Bairro Alto, se não for cego nem for Carnaval, é um idiota que acha que tem estilo. E tem, tem estilo de palerma. Além de que é um perigo, com o álcool, a escuridão da noite e a maquilhagem já é difícil discernir entre pessoas bonitas e feias, com óculos escuros a probabilidade de se comer gato por lebre aumenta exponencialmente. Queria deixar uma palavra de apreço para as mulheres, pois que me recorde nunca vi nenhuma com óculos escuros na noite. Até aquelas bimbas que saem vestidas como quem vai a um casamento do Toy conseguem ter a noção que óculos escuros para sair à noite é só parvo. Confesso que usei uma vez mas foi para uma festa cujo tema era “Praia”, e então lá fomos vestidos e ornamentados como quem vai apanhar banhos de sol. Lembro-me de um amigo a dançar na pista, já embriagado e dizer-me com um sorriso rasgado no rosto “Isto de estar de óculos escuros é brutal!!! Parece que estou invisível!!!”.

Óculos escuros na cabeça

Outro grande flagelo da humanidade são as pessoas que acham que os óculos são para pousar na cabeça. Sei que é uma prática bastante comum e nem sei qual é a razão de eu achar que é ridículo. Devo confessar que há pessoas que conseguem escapar e dado o resto do estilo que têm, disfarçam o quão palerma é esta forma de usar os óculos. Numa mulher acaba por não parecer tão mal, sendo que se confunde com uma bandolete a segurar o cabelo mas num homem, especialmente em determinados penteados ou carecas, torna-se pateta. Mal por mal metam isso pendurado na camisola se estão com problemas de os meter nos bolsos e riscar os vossos preciosos Rabo Ban ou Arnetis comprados na feira ou a um indiano no Cais do Sodré numa noite de bebedeira. Quem diz óculos na cabeça, diz também por cima do boné. Não sei o que é pior, mas acho que é no boné, especialmente se for de noite.

À Paco Bandeira

O criador deste utilitário estava longe de imaginar que uma das aplicações mais utilizadas seria de mulheres que recebem festinhas com força na cara dos maridos queridos. Esse senhor se hoje fosse vivo iria ficar impressionado, já que no tempo dele certamente que as mulheres envergavam as nódoas negras nos olhos com orgulho na macheza do seu marido. Os valores que se perdem em apenas poucos séculos. Uma vez a minha namorada caiu à porta de casa e deu com um olho mesmo num lancil do passeio. Envergonhada, andou uns dias de óculos escuros a esconder o que parecia efectivamente ser a marca de um jab de esquerda bem metido. Aposto que houve quem a visse de mão dada comigo e pensasse que eu sou esse tipo de homem, que agride uma mulher num local onde deixa marcas à vista à de todos. Um insulto à minha inteligência.

Chorar

Quase toda a gente já sacou dos óculos escuros, mesmo em dias de chuva, para tapar os olhos vermelhos e as lágrimas que teimavam em suicidar-se, deitando-se por nossa bela face abaixo. Eu próprio tenho sempre um par de óculos escuros no carro, não para usar naquela hora em que o sol vai baixo e não vemos dois metros à frente, mas sim porque sempre que passa o Jajão na rádio não consigo evitar que uma lágrima se solte. Convenhamos que é bastante vergonhoso um homem chorar a ouvir esta canção e quem passa ao lado iria ficar com essa sensação errada, já que as lágrimas eram de tristeza pelo estado da RFM.

Publicidade enganosa

Não sei se as mulheres já passaram por isto, mas nós homens somos constantemente enganados por espécimes do sexo oposto que utilizam daqueles óculos grandes que tapam metade da cara. Isto acontece especialmente no trânsito em que vemos uma rapariga que aparenta ser bem gostosa, de cabelo apanhado e ao volante do seu C3, Mini ou Yaris. Vêmo-la assim de num ângulo de três quartos e parece ter uma face simétrica, de queixo meigo e boca desenhada por Miguel Ângelo. Depois ela tira os óculos para os limpar e vira-se para nós fazendo-nos realizar que afinal toda a cara dela foi feita pelo Miguel Ângelo mas dos Delfins ou das tartaruga ninja.

Currículos e LinkedIn

“Ah o desemprego isto, o desemprego aquilo”, “Ninguém contrata agora e em sequer me chamam para entrevistas”. Alguém que diz isto mas depois na foto do Linkedin e CV está de óculos escuros, é porque merece. Quem é que no seu perfeito juízo, nos dias de hoje em que basta agarrar no telemóvel e tirar uma fotografia, escolhe uma em que está de óculos escuros? Então se for de óculos escuros numa discoteca com o copo na mão e a aparecer uma mão de outra pessoa no ombro dele, dando a ideia clara de que cortou uma foto de grupo de uma saída à noite, ainda pior. Se essa mão que aparece tiver unhas de gel às cores, com brilhantes e piercings, piora a situação de forma drástica.

Ray Charles

É curioso que um objecto inventado para proteger os olhos saudáveis dos raios solares e dos malefícios que eles provocam, seja também utilizado para os que não têm olhos que funcionem os escondam, porque nós seres humanos achamos nojenta a diferença. É curioso pensar na razão que terá levado o primeiro cego a utilizar óculos escuros, não deve ter sido ele a preocupar-se com o que os outros viam, mas sim alguém que lhe deve ter dito “Nem todos são cegos como tu e não queremos ter que olhar para esses teus olhos estranhos!”. Ou então foi por questões médicas, também não vamos dramatizar.

Encontrei este artigo bem humorado no blogue do Guilherme e quis partilhar convosco 🙂

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